2. Por que ela acontece?
Isso
acontece porque as crianças ainda não têm maturidade suficiente para lidar com
uma determinada frustração e acabam explodindo. Essa explosão vem em forma de
choro incontrolável, gritos e aquela movimentação intensa difícil de conter. Na
verdade, em algumas situações, as crianças estão testando o limite dos pais
para descobrir até onde podem chegar. Outras vezes, a birra é apenas um pedido
de ajuda inconsciente para lidar com um sentimento novo que é a frustração.
3. Dá para evitar?
Sim,
porque o ataque de birra começa muito antes dos berros e do choro. É uma manha,
um pedido que não pode ser realizado, um lugar muito agitado e cheio de gente
ou sono, cansaço etc. Quando os primeiros sinais surgirem, é hora de negociar
levando em conta a idade da criança. Se você precisa enfrentar um lugar
tumultuado, converse com seu filho antes de sair de casa e deixe claro o que
não será permitido. Se na hora H, uma situação fugir do controle, e a criança
pedir um brinquedo, por exemplo, tente negociar.
• Até
2 anos: se vir que o não vai magoar a criança, em qualquer situação, mude
de ambiente para distraí-lo e proponha uma brincadeira.
• Entre
2 e 5 anos: converse e prepare-o! Diga a ele para escolher para o
aniversário ou para a próxima data festiva. Você também pode avisar que aquele
brinquedo é muito caro e sugerir um mais barato. Se não puder comprar, é melhor
falar a verdade. No caso de ter que levá-lo a um shopping ou mercado, peça a
ajuda do seu filho. Pegar um produto na prateleira, segurar uma sacola bem
leve, pergunte a opinião sobre uma cor de roupa. Ele precisa se sentir útil
para não ficar irritado.
SEMPRE: Não
esqueça que tudo deve ser dito na linguagem que a criança entenda. Usar tom “de
adulto” é cansativo, difícil e chato. E, claro, sempre conversar com a criança
baixando até a altura dela.
4. Como lidar
com o ataque?
Infelizmente, não existe uma fórmula infalível. Tudo depende da criança,
da idade e da situação. Mas, algumas dicas podem ajudar nesse desafio. Primeiro
de tudo, pense se vale a pena entrar nessa batalha com seu filho. Ele realmente
está exagerando? Está pedindo algo que já tem, ou está irritado, com sono ou
fome, está calor demais? Muitas vezes, eles precisam de um lugar mais tranquilo
para dormir ou se alimentar, ou simplesmente estar.
• Se a criança estiver em um lugar perigoso, retire-a de lá
imediatamente, não importe a intensidade do berro dele.
• Mantenha a calma. Não esqueça que você serve de modelo para seu filho
e quanto mais calmo ficar, mais rápido a situação vai se resolver.
• Não grite. Como é uma explosão dos pais, não há criança que suporte
isso!
• Nunca, jamais, bata no seu filho.
• Desvie o foco da criança. Como ela está nervosa, evite conversar muito
na hora. Melhor falar menos e agir mais. Até os 5 anos, a criança não consegue
manter a concentração nas palavras por mais de 30 segundos.
• Quando perceber que ela se acalmou, dê um abraço bem gostoso para
mostrar a ela que está tudo bem!
5. Espaço para
a rotina
Criança precisa de rotina, gosta de saber o que vai acontecer, o que
pode e não pode fazer. Dá segurança e é transmissão de afeto. Isso vale para as
situações mais cotidianas, como tomar banho, jantar e ir para a escola. Para
isso acontecer, a família toda precisa se organizar. É como confundir a criança
quanto aos valores da família: consegue imaginar como seria caótico um lar em
que o certo e o errado se misturam? Para manter as regras é fundamental também
facilitar para que elas sejam cumpridas: se você quer que ele sempre se
comporte em um lugar público, não vai deixá-lo horas sentado em um restaurante
cheio ou esperar que ele fique calminho em uma fila de banco, não?
6. Valorize o
não
OK, você já sabe a importância de falar não para que seu filho aprenda a
amadurecer e perceba que não terá tudo sempre à mão quando pedir. “Crianças que
nunca são contrariadas acabam se tornando adultos irritados, agressivos e até
infelizes. Afinal o mundo não dará somente o sim incondicional que os pais
sempre disseram”, explica a psicanalista infantil e colunista do site CRESCER
Anne Lise Scapaticci. E justamente por seus bons efeitos, a palavrinha não deve
ser desperdiçada em situações completamente desnecessárias. Quando usado sem
moderação, o não perde força e convida à desobediência.
7. Acerte no
castigo
Não adianta punir crianças menores de 2 anos. Elas não têm maturidade
suficiente para perceber que fizeram uma coisa errada, muito menos que estão
pagando por isso. Mas, por exemplo, se ela joga um brinquedo no chão ou em
alguém e você tira o brinquedo, já pode ser um castigo para ela. Quando a
criança é maior, vale excluir algo importante para a criança, como o clássico
“ficar sem TV”. “Castigos, quando bem aplicados, atendem ao senso de justiça
que todas as crianças têm. A falta de punição, pelo contrário, as desorienta.
Um olhar quieto e sério para um filho é um tipo de punição particularmente
eficaz. O objetivo da punição é incomodar”, afirma o psicanalista Francisco
Daudt da Veiga, em seu livro recém-lançado Onde Foi que Eu Acertei (Ed. Casa da
Palavra).
Para ser educativo, a criança precisa entender a relação entre o que fez
e a consequência. A punição deve acontecer no mesmo momento, pois as crianças
têm uma visão imediatista: ainda não aprenderam a pensar a longo prazo. Ou
seja, depois de algum tempo, não sabem por que estão sendo castigados,
esqueceram da birra e da importância que demos a ela.
E não é muito repetir: não estamos falando de palmada, beliscão ou tapa.
Isso tudo está mesmo fora de cogitação.